terça-feira, março 27, 2007

Chico Buarque

Artista: Chico Buarque
Disco: Paratodos (1998)
Estilo: MPB
Mídia: CD
Site Oficial: http://www.chicobuarque.com.br

Descrição: Curiosidade: o projeto de capa de Paratodos é de Chico Buarque. Foi ele quem bolou aquela coleção de fotos, tiradas por um lambe-lambe na Feira de São Cristóvão - feira nordestina que vara a madrugada no bairro da Zona Norte carioca. Uma trabalheira, pegar de cada fotografado a autorização para a utilização da imagem - coisa que valeu a pena. Deu em capa originalíssima, que o compositor desenhou e apresentou ao artista gráfico já do jeito como deveria ficar.
No centro da capa, entre anônimos, duas fotos do adolescente Francisco Buarque de Hollanda, de frente e de perfil- a foto clássica do fichamento policial. É que em 1961, ele e um amigo roubaram - "puxaram", para dar uma volta na madrugada paulistana - um carro. Brincadeira de garotos. Amadores, foram descobertos e presos. No dia seguinte, o jornal Última Hora estampou a foto tirada na delegacia. O título da matéria: "Pivetes furtaram um carro: Presos". Chico ficou de castigo. Não pôde mais sair sozinho à noite até completar 18 anos. "Comecei a escrever Estorvo em 1990, e o livro saiu no ano seguinte. Fiquei pós-parto por dois anos, até entrar em estúdio novamente", conta ele. "Antes de Paratodos fiz turnê longa: Europa, Nordeste..." - de modo que, mais uma vez, partiu para a gravação com pouca coisa nova pronta.
Trazia na bagagem coisas que não havia cantado antes, como Sobre Todas as Coisas, feita para o balé O Grande Circo Místico, em 1982. A música do balé, encomendada a Naum Alves de Souza pelo Teatro Guaíra, de Curitiba, foi composta em parceria com Edu Lobo. Pivete é uma canção de 1978, assinada com Francis Hime (Chico fez modificações na introdução e no final da música); Choro Bandido, de 1985, é outra parceria com Edu, desta vez para a peça O Corsário do Rei, de Augusto Boal; e o samba Piano na Mangueira, parceria com Tom Jobim, foi escrito para o disco que arrecadava fundos para o desfile da escola, que um ano antes havia homenageado o maestro.
As outras canções foram sendo feitas durante a gravação. Menos uma, Outra Noite, sobre música de Luiz Cláudio Ramos. "Era para um seriado português sobre pessoas que sumiam, desapareciam sem deixar vestígios. A música me foi encomendada e eles não gostaram muito quando souberam que se tratava de uma parceria, mas acabaram achando bom. Nunca vi o programa, não sei se era uma dramatização, mas escrevi", Chico situa e ressalva.
O quebra-queixo Biscate nasceu de uma vinheta cantada pelo ator Otávio Augusto na peça Suburbano Coração. "Na verdade, era para ser uma música da trilha da peça, mas não ficou pronta a tempo, e acabou virando vinheta. O Otávio Augusto cantava em várias línguas, era engraçado. Para o disco, fiz um contracanto e gravei com a Gal Costa." A última faixa a ser composta foi De Volta ao Samba, que, pelo teor da letra, dá a impressão de ter sido a motivadora da obra.
O show correspondente chegou a ser gravado. A qualidade técnica não satisfez o compositor, os músicos, os envolvidos. O disco nunca saiu.