Artista: Chico Buarque & Edu Lobo (Gal Costa, Lenine e Zizi Possi)Disco: Cambaio (2001)
Estilo: MPB
Mídia: CD
Site Oficial: http://www.chicobuarque.com.br , http://www.edulobo.com.br, http://www.galcosta.com.br, http://www.lenine.com.br, http://www.zizipossi.com.br
Descrição: Luis Fernando Veríssimo escreveu, com a pertinência de sempre, que era absurdo Cambaio não ter ganho todos os prêmios da indústria fonográfica relativos a 2001. Trata-se da trilha sonora do espetáculo escrito por João e Adriana Falcão, que estreou em São Paulo, no Sesc Vila Mariana, em abril de 2001. Ficou pouco tempo em cartaz. Cumpriu curta temporada no Rio, voltou a São Paulo e encerrou a vida. Montagem audaciosa, de experimentação de linguagem, foi espetáculo pouco visto e menos compreendido, se não subestimado.
Os parceiros Chico Buarque e Edu Lobo, em sua quarta colaboração para cena, e os autores do texto e responsáveis pela montagem adotaram método inusual de trabalho. Dispuseram-se à criação simultânea. Não existia a peca, mas uma idéia dela. Não existiam as músicas, mas referências que o texto corroboraria ou não (e vice-versa). Mesmo a escolha do elenco foi pouco convencional. Abriram-se testes para atores-cantores, gente jovem de talento.
Talvez a expectativa tenha sacrificado a apreciação de Cambaio. Talvez o público pretendesse uma nova Ópera do Malandro, um outro Gota d´Água, enquanto os autores queriam falar de coisas de agora (e vale lembrar que uma recente superprodução tentou a remontagem de Gota d´Água com pouquíssimo êxito).
O tempo pode resgatar o espetáculo. O disco está aí. É um primor, com a marca registrada dos autores e um punhado de canções que merece figurar entre as melhores da parceria - Uma Canção Inédita, A Moça do Sonho, Cantiga de Acordar, Noite de Verão. "Eu gostava muito do espetáculo", diz Chico. "Mas algumas peças têm carreira mais longa, outras, mais curta - não e previsível". Ele evita, delicadamente, a observação de que Cambaio foi mal entendido.
Com participações de Zizi Possi, Gal Costa e Lenine, produção de Edu Lobo, arranjos de Chiquinho de Moraes (o mesmo de O Grande Circo Místico) e Edu, Cambaio reedita o Circo para o século 21, reforça o caráter crítico da obra dos parceiros e reafirma sua crença na redenção pela arte. Uma obra a ser redescoberta.